|
Saúde |
|
Depois da cárie, cuja incidência na população caiu nos últimos anos, o próximo desafio dos dentistas é a doença periodontal, mal em que bactérias atacam as gengivas, os ossos que sustentam o dente e os ligamentos que o "seguram" ao osso. Um estudo coordenado pela Faculdade de Saúde Pública realizado em 1998 com cerca de 90 mil pessoas no Estado de São Paulo mostrou que 70% dos adultos apresentavam problemas nas gengivas. Aos cinco anos de idade, 17% das crianças já tinham angramentos localizados, um dos sintomas relacionados à doença. O Instituto Nacional de Saúde nos EUA estima que 85% da população daquele país tenham algum grau do problema, que pode levar à perda do dente. "A doença não existe sem a formação da placa bacteriana. E a prevenção é simples: fio e escova dental", afirma o dentista sanitarista Paulo Narvai, professor do Departamento de Práticas de Saúde Pública da faculdade. Boca e coração Também poderia prejudicar o controle do diabetes tipo 2, uma vez que as infecções levam a um aumento das taxas de açúcar no sangue. Esse enfoque é alvo de uma área específica da odontologia, a medicina periodontal. A "migração" das bactérias causadoras da periodontite da boca para o coração já era considerada como uma das possíveis causas da endocardite (uma infecção do forro das válvulas do coração). "Mas estudos mais recentes mostraram possível ligação, mesmo que indireta, com outros problemas cardiovasculares, como a aterosclerose [depósito de gordura nas artérias]", afirma um dos diretores da Sociedade Brasileira de Periodontologia, Rodrigo Bueno de Moraes. Substâncias liberadas no sangue a partir da inflamação poderiam estimular a produção de proteínas que facilitariam a adesão da gordura, explica Moraes. Ele diz que as doenças periodontais podem também ser expressão de doenças sistêmicas, como a infecção pelo vírus da Aids ou pelo vírus HPV (o mesmo causador do câncer de colo do útero). O diabetes pode predispor o paciente ao problema. O tabagismo e o estresse são associados a algumas periodontites. Fumantes têm até quatro vezes mais chances de ter a doença. Folha de
S.Paulo |